Conformidade LGPD: sites brasileiros 2026
Analisamos 52.279 sites brasileiros em oito sinais públicos de adequação à lei. A nota média foi 3,4 de 8, e o que falta não é tecnologia.
Por Klarim · 13 de agosto de 2026 · 8 min de leitura
Existe uma diferença entre "estar preocupado com a LGPD" e "ter feito as coisas". A primeira é comum. A segunda dá para medir.
Nós medimos. Em 52.279 sites brasileiros, verificamos oito sinais públicos de adequação à lei, coisas que qualquer visitante consegue ver ao abrir o site. A nota média foi 3,4 de 8.
Não é zero. Mas também não é o que a maioria dos donos de site imagina quando alguém pergunta se está tudo certo.
Este artigo mostra os oito sinais, o que cada um significa em português claro, e o que dá para fazer sobre cada um sem contratar ninguém.
Como medimos
A Klarim descobre sites brasileiros automaticamente e analisa cada um de forma 100% passiva. Abrimos as páginas públicas exatamente como um visitante faria, lemos o que está lá e vamos embora. Nenhuma tentativa de invasão, nenhum acesso a área logada, nenhum teste de senha. Nosso robô se identifica em cada requisição.
Isso importa por dois motivos. Primeiro, é o único jeito ético de analisar sites que não nos pediram nada.
Segundo, e mais útil para você: tudo o que medimos é exatamente o que seu cliente vê. É também o que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados veria, se resolvesse olhar.
A amostra deste artigo são 52.279 sites com verificação de privacidade concluída.
Os oito sinais, do mais presente ao mais ausente
| Sinal | Em conformidade | Taxa |
|---|---|---|
| HTTPS em formulários | 52.228 | 99,9% |
| Cookies de terceiros só após consentimento | 52.151 | 99,8% |
| Headers de segurança em formulários | 38.249 | 73,2% |
| Política de privacidade | 12.896 | 24,7% |
| Identificação do encarregado (DPO) | 11.734 | 22,4% |
| Banner de cookies | 8.296 | 15,9% |
| Política de cookies | 1.579 | 3,0% |
| Canal de direitos do titular | 686 | 1,3% |
Repare no formato dessa lista. Os três primeiros são altos. Os cinco últimos despencam.
A linha divisória entre eles não é dificuldade técnica. É quem precisa fazer.
O que já está resolvido, e não é mérito de ninguém
HTTPS em formulários: 99,9%. Quando alguém digita nome e telefone no seu site, esses dados viajam até o servidor. Sem HTTPS, viajam abertos, legíveis para quem estiver no caminho, como no Wi-Fi de uma cafeteria.
Praticamente todo site brasileiro já resolveu isso. Apenas 51 dos 52.279 ainda enviam dados em texto aberto.
Por que a taxa é tão alta? Porque as hospedagens passaram a entregar o certificado de graça e ligado por padrão. Ninguém precisou decidir nada.
Cookies de terceiros antes do consentimento: 99,8% em conformidade. Este sinal verifica se o site instala rastreadores de outras empresas antes de o visitante aceitar. Só 128 sites fazem isso.
O site brasileiro típico não é uma máquina de vigilância. Na maioria dos casos, ele nem tem ferramenta suficiente instalada para isso virar um problema.
Headers de segurança em formulários: 73,2%. Aqui já aparece uma decisão humana. São instruções que o site envia ao navegador dizendo, em resumo: não deixe outro site colocar meu formulário dentro de uma página falsa.
Isso protege contra golpes em que um site clonado captura o que seu cliente digita. Três em cada quatro sites têm, quase sempre porque a plataforma já vem configurada assim. Os 26,8% restantes costumam ser sites com servidor próprio, onde ninguém ajustou.
O que quase ninguém tem, e todos precisariam decidir fazer
Política de privacidade: 24,7%. Três em cada quatro sites brasileiros não têm. É o documento que explica quais dados você coleta, para que usa, com quem compartilha e por quanto tempo guarda.
Não é opcional. Se o seu site tem qualquer formulário, você coleta dados pessoais.
Identificação do encarregado: 22,4%. A lei pede que exista uma pessoa responsável por falar com clientes e com a autoridade sobre proteção de dados.
Em empresa pequena, essa pessoa é o dono, o gerente ou o contador. Não precisa ser um cargo novo nem alguém contratado. Precisa ser um nome e um contato públicos. Mais de 77% dos sites não dizem quem é.
Banner de cookies: 15,9%. Só um em cada seis sites pergunta antes de ativar rastreamento.
E aqui vai um detalhe que quase todo mundo erra: banner que já vem com tudo marcado, ou que carrega as ferramentas de análise antes do clique, é decorativo. O consentimento precisa vir antes. Recusar precisa ser tão fácil quanto aceitar.
Política de cookies: 3,0%. É diferente do banner. O banner pergunta; a política explica quais cookies existem, o que cada um faz e quanto tempo dura. Apenas 1.579 sites de mais de 52 mil têm.
Canal de direitos do titular: 1,3%. Pouco mais de um site em cada cem oferece um caminho para o cliente pedir acesso, correção ou exclusão dos próprios dados. São 686 sites.
Esse é o número mais baixo dos oito, e não por acaso. É o único que exige um processo, não apenas um documento publicado.
O que a lei realmente pede
Sem juridiquês, a LGPD organiza a vida de um site em três obrigações.
Ser transparente. A lei espera que a pessoa consiga saber o que acontece com os dados dela antes de entregá-los. É o que a política de privacidade resolve. Aqui mora o artigo 9º, que não pede um contrato de vinte páginas, e sim informação clara e acessível.
Ter alguém responsável. O artigo 41 pede que a empresa indique um encarregado e divulgue quem é. A intenção é simples: quando surgir um problema, precisa existir uma porta para bater.
Atender pedidos. O artigo 18 dá ao cliente o direito de pedir acesso, correção, portabilidade e exclusão dos dados.
E aqui está a diferença que explica a tabela inteira. As duas primeiras obrigações se cumprem publicando alguma coisa. A terceira só se cumpre respondendo, com prazo correndo a partir do pedido.
É por isso que o canal de direitos é o mais raro. Publicar um documento é uma tarefa que acaba. Atender pedidos é uma rotina que começa.
Também é por isso que a ausência dele é a mais arriscada. Sem um canal visível, o pedido do cliente cai no e-mail de vendas, no direct do Instagram ou no WhatsApp da recepção. Ninguém reconhece aquilo como pedido formal, e o prazo vence sem que ninguém na empresa soubesse que existia um prazo.
Na outra ponta, o cliente que não acha para onde escrever vai direto à ANPD. Aí você descobre o pedido quando ele já virou reclamação.
O que dá para fazer nesta semana
A ordem abaixo segue o impacto sobre a sua nota, começando pelo que quase ninguém tem.
1. Crie um endereço para pedidos de dados. Algo como [email protected]. Coloque uma linha no rodapé de todas as páginas: "Pedidos sobre seus dados pessoais: [email protected]".
Não precisa de sistema. Precisa de um endereço que alguém realmente abra. Isso sozinho já coloca você no grupo de 1,3%.
2. Diga quem é o responsável. Nome e contato, públicos, no rodapé ou na página de privacidade. Uma linha resolve.
3. Publique uma política de privacidade que responda cinco perguntas. Quais dados você coleta; para que usa; com quem compartilha (a plataforma de e-mail marketing conta, o meio de pagamento conta); por quanto tempo guarda; como a pessoa pede acesso ou exclusão.
Se você travou em alguma dessas perguntas, essa é a informação mais valiosa deste artigo. Significa que existe um dado circulando na sua empresa sem dono.
4. Faça o inventário dos seus cookies antes de instalar banner. Liste o que o site carrega hoje.
Se você não usa nenhuma ferramenta de análise ou anúncio, talvez nem precise de banner, mas precisa dizer isso na política. Se usa, o banner tem que bloquear até o aceite, e não apenas avisar.
5. Escreva a política de cookies junto. Depois do inventário do passo 4, ela é praticamente uma tabela: nome do cookie, para que serve, quanto tempo dura.
Nenhum desses cinco passos exige desenvolvedor, plugin pago ou consultoria. Quatro deles são texto.
Duas ressalvas honestas
Isto mede o que está visível, não a sua conformidade jurídica. Um site pode passar nos oito sinais e a empresa ter problemas sérios internamente: contratos sem cláusula de proteção de dados, planilha de clientes circulando por e-mail, ex-funcionário com acesso ativo.
O contrário também acontece. Empresa organizada que simplesmente nunca publicou nada. O que medimos é a camada pública. Ela importa porque é a primeira que qualquer pessoa vê, mas é uma camada, não o todo.
Nada aqui é aconselhamento jurídico. Somos uma plataforma de dados, não um escritório de advocacia. Para avaliar a situação específica da sua empresa, consulte um advogado especializado em LGPD. Este artigo serve para você chegar nessa conversa sabendo o que perguntar.
Verifique seu site
O teste é gratuito, leva cerca de 30 segundos e mostra os oito sinais deste artigo aplicados ao seu domínio: quais você já tem, quais faltam e o que fazer em cada caso.
Testar meu site em klarim.net/ferramentas/teste-lgpd
Sem cadastro para ver o resultado.
Se a sua nota vier abaixo de 3,4, você está abaixo da média brasileira. Se vier acima de 5, você está num grupo bem pequeno.
Dados extraídos da base da Klarim em 12 de agosto de 2026. Amostra: 52.279 sites brasileiros com verificação de privacidade concluída. As verificações são passivas. Acessamos apenas páginas públicas, sem qualquer tentativa de invasão, e nos identificamos em cada requisição.
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